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quarta-feira, 2 de junho de 2021

Bonsaiaçu, um conceito nascido da incompetência criativa

Sempre gostei de bonsai, aquela arte japonesa de miniaturização de árvores. Como criança, pedia livros sobre o assunto, estudava e sonhava em algum dia fazer um exemplar. Mas nunca tive a coragem. E hoje nos meus quase 60 anos continuo não tendo.


Há mais de sete anos (no dia 27 de dezembro de 2013 para ser exato), numa incursão à mata para observar aves amazônicas (minha profissão, hobby, e maior prazer), desenterrei algumas plântulas jovens de Parkia pendula para levar para a casa. Não tinha ideia de como, mas imaginei tentar fazer bonsai de uma delas.

A espécie, conhecida na Mata Atlântica como visgueiro ou angelim-saia, aqui na Amazônia é mais chamada de arara-tucupi. É, na minha opinião (uma das se não), a árvore mais linda da Floresta Amazônica. Sua copa estende lateralmente formando quase uma mesa plana de folhas delicadas e recortadas acima das outras copas. Uma das grandonas mesmo da floresta. Como recriar isso em miniatura?

Essa mudinha de uns 50 cm, nascida logo de baixo da mãe, um monstro de 30 m, foi plantada em um vasinho e ficou na meia-sombra do meu jardim de casa. Nunca tive a coragem de fazer qualquer tipo de educação da árvore, muito menos podar qualquer coisa. Só deixei ela sofrer esse tempo todo dentro de um vaso muito pequeno, com uma terra bastante exausta provavelmente.

Ela simplesmente crescia lentamente, um espigão fino, meio torto devido às viradas para achar algum sol, sem a menor tendência de querer esgalhar, muito menos produzir aquela copa chata, espalhada, maravilhosa característica da espécie—só uma vara torta mesmo. Depois de alguns anos, enquanto ela se esticava lentamente, quando não aguentei mais olhar para a desproporcionalidade absurda do vasinho que estava (de plástico ainda), tomei a coragem de passar para um vaso maiorzinho, de concreto, mais pesado e ornamental.  No ato, naturalmente rolou uma “poda” (mais como mutilação) do bololô de raízes.


Dia 21 de maio de 2021, depois de perder todas as folhas, mostrou sinais de querer esgalhar pela primeira vez na vida.

E assim passaram-se mais anos, ela subindo e eu me sentindo cada vez mais incompetente e indeciso.  Deveria ter colocado ela no chão há muito tempo, pensava.  A natureza dela é subir até emergir do dossel e, só então, formar copa.  Quase três metros de altura num vaso ridículo, não era nem uma coisa nem outra.  E para piorar, agora mês passado em plena época de chuva, perdeu todas as folhas, e eu suspeitava que tivesse finalmente batido as botas.  Mais uma perda da pandemia, do descuido, da inoperância e da incompetência.  Triste.

Mas não. As chuvas diminuindo, o sol aparecendo, começou a se esticar o botãozinho na ponta alta da vareta.  Aliviado, mesmo assim eu custei pra entender o que estava acontecendo.  Ela não recuperou; pois nunca tinha passado mal.  Ela trocou suas folhas, como uma Parkia adulta na mata faz.  E quando começou a rebrotar, não foi só na ponta apical.  Pela primeira vez, brotou em muitos lugares, claramente querendo fazer galhos.  Aí sim, entendi que ela tinha decidido (talvez por ter alcançado uma altura no jardim que o sol a iluminava o suficiente) esgalhar de vez.  Rapidinho puxei o vaso para um lugar ainda mais ensolarado, em pleno sol mesmo, para reforçar nela a felicidade da sua decisão.


24 de maio, em pleno sol, esticando em 3 direções, o ápice claramente crescendo pro lado.

O que aconteceu? O líder, o broto apical não subiu. Deitou e até agora está crescendo loucamente na horizontal! E os brotos tronco abaixo estão assumindo direções complementares. O segundo vai pra frente, quase horizontal também, e o terceiro já vai se esticando no sentido ao contrário do primeiro.  Ou seja, de um ano pro outro, de um pulso de crescimento até o próximo, ela mudou de forma. Uma adolescente Parkia pendula, num vaso no meu jardim de casa! Estou muito emocionado. Um pai comemorando o aniversario de quinze anos de sua filhinha, e se preparando para a chegada de pretendentes não merecedores.


27 de maio, lateralizando mesmo.

Já preparei um lugar novo (na “garagem” que nunca recebeu um carro) onde vai passar pelo pergolado e poder esgalhar no sol e se lateralizar à vontade.  Só falta uns três homens pra gente poder mudá-la sem machucar. Semana que vem. Se a minha visão do futuro dela se realizar, ela vai se espalhar mais, o tronco engrossar, talvez até criar sapopemas, e se tornar uma miniatura de uma Parkia da mata. 
 

Na manhã de 30 de maio de 2021 —Uma gracinha, não?

Mas com uma provável altura máxima de 3-5m, acho que nenhum conceito de bonsai aceita.  Tem uma categoria “gigante”?  Enfim, independente da falta de nome politicamente correto, de uma caixinha certa pra “raça” dela, ela se tornou a menina dos meus olhos, sem nenhum mérito meu. Espero que ela viva muito mais tempo que eu—o bonsaizeiro mais inepto, medroso e sortudo que já conheceram—e que um dia vocês a vejam com os meus olhos, de quem a admirou antes dela nem se conhecer como gente.

Mario Cohn-Haft

Acariquara

30 de maio de 2021

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

'Se eu pudesse dormir mais um pouquinho só'... ou 'O que acontece antes dos periquitos chegarem?'

Por Mario Cohn-Haft

Para quem se interessa em pássaros, e especialmente quem presta atenção no som dos pássaros para saber quais e onde estão, a hora que acorda faz toda a diferença. É possível escutar nas primeiras duas horas da manhã mais tipos diferentes de aves do que se detecta no restante do dia inteiro. Isso é porque a hora de pássaro cantar é de mãnha cedo. Mas mesmo nesse horário (que uns consideram ingrato), existe uma agenda sonora muito apertada e rígida. Tem pássaro que começa a cantar logo que o sol nasce e outros que esperam o ar esquentar um pouquinho antes de vocalizar. E existe em grupo seleto de espécies que só canta naquele primeiro lusco-fusco do dia, quando mal começou a clarear e o sol ainda não nasceu. Esses, se você não estiver acordado antes do sol mesmo, não vai notar talvez nunca.

O arapaçu-meio-barrado (Dendrocolaptes picumnus) se chama assim porque tem barras horizontais apenas na barriga e flancos, enquanto é listrado na cabeça e peito. Ele é bem raro na cidade, e aparece somente nas áreas perto de floresta mais extensa. Foto: Anselmo d’Affonseca.

O arapaçu-meio-barrado é um desses. Canta durante alguns minutos no pré-amanhecer (e não em todos os dias) e depois passa o dia se cuidando, sem soltar um pio. Hoje o escutei aqui de casa pela primeira vez há mais de uma década. Foi porque ele tinha sumido e agora voltou? Não sei. Só sei que hoje, se eu não estivesse em pé escutando na janela do quarto exatamente entre 05:33-05:37, teria passado batido. 

Os arapaçus são pássaros que ficam colados nos troncos das árvores, feito pica-pau.  Mas pica-pau costuma furar madeira a procura de brocas e construindo seus ninhos.  O arapaçu é uma ave mais delicada, conta com o trabalho de outras espécies, ou a própria podridão da madeira, para cavar seus ninhos em oco, e cata insetos na casca dos troncos, sem fazer grandes estragos. 

Arapaçus são da cor do tronco, marrom avermelhado e marcados com listras ou risquinhos, mais ou menos dependendo da espécie.  Alías, são duzias de espécies, super parecidas, melhor diferenciadas pelo canto mesmo.  Aqui no Acariquara, uma é comum—o arapaçu-de-bico-branco—e umas outras tres são bem raras mesmo, inclusive o nosso protagonista de hoje. Ele é de mata extensa de terra firme. Mal tolera o limite da cidade onde pode a qualquer momento se retirar para dentro da mata grande.  Aqui no nosso conjunto, suspeito que só aparece quando se aventura a sair um pouco da mata da UFAM.  E mesmo lá, de repente não mora continuamente; talvez só chega de vez em quando, expulso de onde morava e na busca de mais floresta da boa mesmo. 

O arapaçu-de-bico-branco (Dendroplex picus) é a espécie de arapaçu mais comum na cidade. Diferencia-se do outro pelo ventre todo listrado e o bico claro. Foto: Anselmo d’Affonseca.


Sorte a minha que hoje ele se dignou a passar pelo meu quintal e cantar umas poucas vezes até a chegada zoada dos periquitos na mangueira. E mais sorte a minha que eu estava acordado para ouvir.


Posfácio—Três dias depois da observação relatada aqui, no dia 5 de dezembro às 05:19, eu ainda deitado na cama, escutei um canto do arapaçu-meio-barrado. Não se repetiu ao longo da manhã. Os periquitos chegaram do seu dormitório no V8 às 05:41. O sol nasceu às 05:43.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Pena de quem não viu

Essa historinha ornitológica não rolou no Acariquara. Mas aconteceu bem perto e será só uma questão de tempo até vermos a mesma coisa aqui dentro. Tomara!

Por Mario Cohn-Haft

Essa pena foi encontrada no campus do Inpa.  Parece ser a penúltima primária externa (a número nove na contagem técnica de penas de aves) da asa direita de uma coruja jacurutu (compare com as penas nesse link). Foi a primeira evidência da presença da nossa nova vizinha.
Começou há alguns meses quando a colega Summer me trouxe uma pena que encontrou no estacionamento do campus 2 do Inpa (onde trabalho). Tratava-se de uma pena de asa de coruja muito grande. Na coleção de aves, comparamos com as penas equivalentes das outras corujas conhecidas na região, mas essa era até maior do que a maior coruja que temos (o murucututu). Só restava uma opção, o jacurutu.

A coruja jacurutu é maior que muitos gaviões e pode comer ratos e mucuras à noite.  Estonteantemente bonita, ela nos brindaria com a sua presença no conjunto. Foto do Rio Grande do Sul: Robson Czaban.
Problema é que a coruja jacurutu (Bubo virginianus) não é uma ave tipicamente amazônica (veja mapa abaixo). O que estaria fazendo no estacionamento do Inpa? Devo acreditar que mora ali mesmo? A resposta veio agora. Outro dia, minha esposa, Rita, me disse ouvir um canto diferente de coruja no campus 1 do Inpa quando ela saía do trabalho depois de noite. Toquei alguns exemplares do canto de jacurutu e ela achava que batia. E o cerco ia fechando. Na noite seguinte procurei o som com a mestre Roberta e amigos. E ouvimos! Parece que tem pelo menos um jacurutu morando no Inpa!

A distribuição do jacurutu é ampla em toda a América, menos na região amazônica.  Fonte: https://www.allaboutbirds.org/guide/Great_Horned_Owl/id.

Acredito que esse registro combina com vários outros casos de expansões de distribuição associadas ao desmatamento (veja matéria Quando um “bom” passaro é um mau sinal?). A floresta amazônica de terra firme é um ambiente tão diferenciado que a maioria das suas espécies só moram ali, e dificilmente bichos de fora penetram. Mas na medida que alteramos o meio ambiente, os lugares de ocupação humana, especialmente cidades e fazendas, afastam a fauna da mata nativa enquanto proporcionam habitat para bichos de outros ecossistemas.

O jacurutu vive em áreas de cerrado e matas de galeria fora da Amazônia. Os poucos registros amazônicos vinham de locais com cerrado ou campinas extensas (veja o mapa de registros). Mas agora o jacurutu mora na cidade de Manaus. O campus do Inpa encosta no campus da Ufam, que por sua vez se cola no nosso conjunto. Fiquem atentos!

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Pavoneando no lago

Vou descobrindo com o passar do tempo que só contar os eventos ornitológicos notáveis, sem nenhuma forçação de barra, já dá um ritmo razoável a essa coluna esporádica.  Hoje a visita de honra foi de uma ave bem diferente, que apenas escutei, mas quando visto é um bocado estranha e um bocado bonita.  O pavãozinho-do-pará.

O pavãozinho-do-pará (Eurypyga helias) em repouso.  Foto: Anselmo d’Affonseca.

Por Mario Cohn-Haft
17 de maio de 2017

Foi cedinho durante a caminhada com os cachorros (naturalmente) que escutei o assobio meio preguiçoso, meio melancólico (clique para ouvir) vindo de algum lugar escondido na beira do lago. Não procurei, pois os cachorros teriam o assustado, e tava sem binóculo pra ver de mais longe. Mas se você procurar, não me surpreenderá descobrir que veio pra ficar por uns dias, talvez até umas semanas. Não seria a primeira vez.

Digo estranho porque não tem nenhuma outra ave parecida. É a única espécie da família Eurpygidae e só ocorre na parte tropical das Américas. Mas a espécie mais parecida, o kagu, é outro estranhão que ocorre somente em Nova Caledônia, pra lá da Austrália!

Se encontrar o pavãozinho caminhando discretamente no chão da mata, perto da água, vai lembrar algo entre um socó e uma saracura. Cata metodicamente as folhas secas, procurando insetos pra comer. Mas se você tiver a sorte de ver ele voar, aí vai se surpreender e ainda entender melhor o nome. As asas abertas revelam um desenho que lembra uma mandala ou um sol em cada asa, quase parecendo olhos de um outro ser, muito maior e inesperado (veja nesta foto http://www.wikiaves.com.br/227067 e outras no Wikiaves).

Por isso, vale gastar um tempinho na beira do lago procurando!

sexta-feira, 17 de março de 2017

5 anos da APA UFAM-Acariquara

Venha participar do aniversário de 5 anos da Área de Proteção Ambiental (APA) UFAM - Acariquara! A Comissão Organizadora preparou um monte de atividades bacanas para os moradores! Traga sua família!


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Feirinha do Acariquara todo sábado pela manhã

A proposta da feirinha é ter aquele ambiente de cidade pequena que come coisas naturais e compra artesanatos feitos pelos próprios vizinhos. Ela está aberta a participação de todos! Ela será realizada todo sábado pela manhã na praça do Acariquara I.


Por Andréa Ferreira, moradora da Rua Guariúbas

A feirinha segue paralela ao futebol da criançada, que para angariar fundos para uniformes, bolas, reforma do campinho, começou quando o morador Mário, produtor de verduras hidropônicas, ofertou alguns maços de folhas para o morador Luiz vender e tirar ajuda para o futebol. Assim, foi criada a feirinha! Uma vez criada, para incentivar outros moradores a virem trazer suas criações, a moradora Andréa, que possui um ateliê de tecidos naturais, trouxe seus produtos para dar corpo à feirinha.
O Luiz fabricou um mesa/balcão de pallet e lá expõe sua alface americana, alface crespa, couve e rúcula, dividindo com a Andréa que, por sua vez, expõe seus cosméticos artesanais como o desodorante, que pode ser usado até por crianças pelo fato de ser feito com produtos não nocivos à saúde, o sabonete feito do azeite de oliva puro e até perfumes artesanais, sem utilização de álcool. A Andréa também expõe suas roupas feitas em algodão puro e em tecidos claros como combate a alergias. As roupas são penduradas nas árvores próximas. Um barato!!

Desodorante natural.

Os moradores tem aparecido timidamente e o contingente maior ainda é o de pais que levam seus pequenos ao futebol, mas a cada sábado, vemos que cresce a participação. Como incentivo ao crescimento da feira, até as crianças resolveram colaborar: o Guilherme de 10 anos produziu brinquedos de emborrachado que fizeram sucesso entre a meninada. Recorde de vendas! O João também de 10 anos também criou um sebo infantil e leva os livros que não usa mais para vender para os colegas. Genial!

A molecada agradece!

Neste último sábado, entre moradoras que foram prestigiar a feirinha, encontramos uma interessada em vender as polpas de frutas orgânicas que produz em seu sítio. Já outra moradora motivou-se a vender mudas de plantas medicinais e mais outra, trará os vasos pintados e trabalhados por ela.

Os vasos coloridos pintados à mão.

Assim, nossa feirinha tem crescido! E quando mais moradores decidirem participar, trazendo suas criações, por menores que sejam, talvez não precisaremos sair daqui pra comprar muitas coisas e o melhor, poderemos ter um ambiente descontraído, familiar, como opção de lazer.

Também sempre há o espaço para se vender nosso tão querido e típico café da manhã e isso nos daria a opção de tomar café todos juntos "no quintal de nossas casas".

Então, não se esqueçam, sábado tem Feirinha do Acariquara!


***

Coisas grandes nascem pequenas e não podem ser desprezadas! Quem quer ter essa movimentação gostosa de criadores, vizinhos, famílias e compartilhamento, tem que acreditar e apoiar. 

Vamos lá Acariquara!!!!!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

The Real Macaw! Cansou de arara, não?

Eu jurei pra mim mesmo que não ia usar este blog para entrar na minúcia de identificação de espécies muito parecidas de aves — coisa para um público mais especializado em observação de pássaros. Mas quando pousa e grita na sua frente, dentro do conjunto, a terceira e maior e mais difícil espécie de arara que tem na região, tem que contar pros vizinhos, não é?

A arara-vermelha (Ara chloropterus) tem uma mancha verde na asa (no lugar da amarela da araracanga), linhas escuras na cara, e um tom de vermelho mais escuro, além de outras diferenças mais sutis.

Por Mario Cohn-Haft

09 de janeiro de 2017

O título dessa postagem é um trocadilho de “bird-nerd” e vem de uma frase em inglês, “the real McCoy”, que significa “a coisa verdadeira”.  Não sei direito a origem, mas poderia ser usado assim, por exemplo: “Essa bijuteria é feita de lata e vidro, mas esse colar de ouro é the real McCoy”. Agora, inglês para arara é “macaw”, então não resisti comentar que, agora sim, recebemos visita da arara mais especial que temos: a arara-vermelha “verdadeira” (nome científico, Ara chloropterus).

Habita matas intactas de terra firme e muito raramente aparece na cidade ou em lugares com pertubação humana.

Você agora tá mais confuso que nunca, depois de ler tanto inglês, ouvindo que a arara vermelha que vê esses anos todos não é a verdadeira!  Como assim?  É que a nossa arara vermelha da cidade é, na nomenclatura oficial ornitológica, a araracanga (nome científico, Ara macao).  Ela difere da outra em vários detalhes. A mais notável é que ela tem uma mancha amarela na asa, que separa a cor vermelha do corpo do azul da ponta da asa. Na vermelha verdadeira essa mancha é verde e não se destaca tanto, formando um degradê de cores na asa. E têm outras diferenças mais sutis: a verdadeira é maior, de um tom de vermelho mais escuro (tipo sangue), a cara com linhas escuras mais visíveis, e a cauda mais grossa.

A araracanga (Ara macao) habita matas ribeirinhas e se adaptou às áreas verdes mais extensas da cidade.  Se destaca pela mancha amarela na asa e pelo tom de vermelho ligeiramente mais alaranjado.

Não duvide.  Apesar das semelhanças, são espécies diferentes mesmo.  Seus gritos são muito parecidos (e eu nem sempre arrisco dizer quem é quem pelo som), mas seus hábitos e distribuições divergem. A araracanga na região amazônica prefere florestas ribeirinhas. Como a maioria das aves adaptadas à cidade de Manaus, é basicamente uma espécie de várzea.  Já a arara-vermelha se limita mais às matas intocadas de terra firme, longe dos centros urbanos.

Hoje me surpreendi a topar com uma gritando no topo de uma árvore na esquina da Cedroramas com a Humboldt. A moradora Dayse já tinha me falado de ter recebido umas visitas dessa espécie numa fruteira dela no ano passado. Será que entrou nesse frenesi de papagaios que estamos vivendo?  Sorte a nossa!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Araramania!

Elas continuam aqui, as araras-canindé. Hoje mesmo vi umas vinte ou mais circulando as copas das árvores na área verde entre a Cedroramas e a Seringas/Copaíbas. E não foi so canindé, tinha araracangas no pedaço também, aquela nossa velha amiga arara vermelha que mora por aqui. Aliás, não estão apenas as araras. Tem a maracanã, a maritaca, o papagaio, e periquito pra caramba. Tá um verdadeiro carnaval de psitacídeos!

Canindés (Ara ararauna) comendo açaí (foto: Marcos Amend).
Por Mario Cohn-Haft

13 de novembro de 2016

Dá um ar de ocasião especial, mesmo, não?  A gritaria, as revoadas. Parece que no momento tem muita coisa para comerem aqui, muitos frutos, tanto de árvores frutíferas plantadas,como também nas árvores nativas das nossas áreas verdes. Invasões esporádicas de aves atrás de comida (como já presenciamos com os tucanos em 1989-90) são eventos misteriosos. Não está claro se o que estimula é a abundância de alimento onde aparecem (como ficam sabendo?) ou uma escassez em seu lugar de origem (de onde vieram?) ou as duas coisas juntas.

De qualquer forma, o espetáculo vale o ingresso. Aliás, só o que temos que fazer para ter o privilégio de curtir isso de vez em quando é continuar deixando as nossas árvores em pé. E isso já é a nossa marca registrada aqui no Acariquara.

Maracanás-do-buriti (Orthopsittaca manilata) também aproveitam o açaí (foto: Anselmo d’Affonseca).

Mais conhecido como maritaca, o periquitão (Psittacara leucophthalmus), como é nomeado oficialmente, vive na cidade o ano todo, às vezes formando bandos grandes e barulhentos.  Destaca-se pelo tamanho médio (entre periquito e a maracanã) e as marcas vermelhas distribuídas aleatoriamente pela cabeça (foto: Anselmo d’Affonseca).

O periquito-de-asa-branca (Brotogeris versicolurus) volta todo ano da várzea onde reproduz.  Os bandos enormes aproveitam a safra de mangas urbanas de dia e dormem todos nas árvores do V8.
Merecem um post só sobre eles—calma aí!  (foto: Anselmo d’Affonseca).

Saiba mais


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Piquenique no Jardim da Humboldt

Na tarde de 5/nov (sábado), moradores da Guariúbas e convidados fizerem um piquenique no Jardim da Humboldt. Parabéns aos moradores pela iniciativa de ocupar o espaço. Muito bate papo, canções (voz e violão) e é claro comilança.





sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Alguem mais notou? Araras-canindé no Acariquara

As araras vermelhas são um dos privilégios de Manaus. Onde mais se pode morar numa metrópole deste tamanho e ainda ver araras? Aqui no conjunto temos a sorte de vê-las quase todos os dias nas suas idas e vindas do seu lar, que talvez seja aqui perto na mata da UFAM. Mas nunca mais, há pelo menos dez ou quinze anos, eu havia visto a arara-canindé na cidade.


Por Mario Cohn-Haft

Numa caminhada matinal com meus cachorros em alguma manhã durante a segunda semana de outubro (não anotei a data lamentavelmente), vi um bando de 18 araras-canindé passando por cima do conjunto. Estavam todas juntinhas e passaram rápido como se estivessem a caminho de algum destino, não necessariamente tão perto. Me perguntei se as veria de novo. Ia até escrever para este blog, mas estava me preparando para viagem e, na pressa, não fiz. Imagine a minha alegria de descobrir, agora no meu retorno, que estão aqui ainda! Nos últimos três dias, tenho ouvido e visto várias araras dessas passando perto de casa.


Como saber se é uma canindé? Ela não é vermelha! Por cima (no dorso) ela é azul, e embaixo (no ventre e no “forro" das asas) ela é amarela—azul e amarelo, com uma cauda ate mais comprida e fina que a da vermelha. O povo da região às vezes chamam ela de “arara azul”, mas ela não é a mesma arara-azul do pantanal, nem a ararinha-azul do nordeste. E ela grita diferente da vermelha também. É sutil, mas se prestar atenção vai ver que o grito é mais gutural, r-r-r-r-r-raspando; ela é a única que grita seu nome, “arara!”


O que ela faz aqui? Vamos ficar de olho para saber.  A espécie tem uma preferência natural para buritizais. Antigamente, encontrava-se algumas na ponte do Igarapé do Mindu na Colônia dos Japoneses. Será que essas de hoje estão ficando no buritizal do nosso lago? Arara voa longe todo dia atrás de frutos para comer, mas volta a dormir no seu lugar predileto. Vamos curtindo essa visita enquanto podemos e torcendo por elas estarem se abrigando em algum lugar seguro, como o nosso conjunto, uma área verde que abriga tanta variedade de vida silvestre.


Mario Cohn-Haft
30 de outubro de 2016

fotos: Anselmo d’Affonseca
gravações:  Philip Stouffer e Luciano Naka

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Jardim da Humboldt

O Jardim da Av. Humboldt ganhou algumas comodidades. Caro Morador, ajude na conservação. Plante, molhe, limpe e desfrute do espaço que é seu!


Percebemos que quando há moradores ocupando o espaço os carros de namorados e comerciantes de entorpecentes passam, dão a volta e vão embora. Até moradores que usavam o espaço como lixeira não tem feito mais isso.

Algumas ações para contenção da água de chuva e jardinagem estão aguardando recursos para serem realizadas. Se tiver interesse em ajudar não passe vontade - Venha e participe.

domingo, 25 de setembro de 2016

Plantio de mudas no entorno do lago

Conforme planejado, no sábado 24 de setembro ocorreu o plantio das mudas doadas pela SEMMAS em comemoração ao Dia da Árvore. Cerca de 170 mudas foram para o chão, das quais 120 eram de plantas ornamentais e 50 de árvores. Veja as fotos da criançada botando a mão na massa!


O plantio foi orientado por moradores do Acariquara que receberam a equipe técnica da SEMMAS durante a última semana. A decisão foi concentrar o plantio das ornamentais ao final da Av. Humboldt e das árvores ao redor do lago, preparando boas covas para aumentar as chances de as plantas crescerem com vigor. As árvores foram plantadas pelos técnicos da SEMMAS, mas quem botou a mão na massa pra plantar as ornamentais foi a criançada do conjunto!


A intenção dos moradores é recuperar essa área para deixar claro que não é uma área destinada a se jogar lixo e sim uma área importante para o lazer e bem-estar de todos. Contudo, a tarefa apenas começou, temos que nos organizar para cuidar das mudas, regando-as com frequência e organizando limpezas periódicas para favorecer seu crescimento e a floração dessas belezinhas.


Agradecemos a todos os moradores que se interessaram pela ação e principalmente à equipe técnica da SEMMAS que viabilizou o plantio com a participação dos comunitários.


Saiba mais

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Visita da SEMMAS para preparar os locais de plantio

A equipe da prefeitura limpou a área destinada ao plantio das mudas ao final da Av. Humboldt. Os moradores que estiveram presentes orientaram a limpeza e preparação das covas. Prioridade foi dada para as árvores nativas ao redor do lago e as plantas ornamentais exóticas foram concentradas ao final da área pavimentada. As árvores serão plantadas na sexta (23 a partir das 8h30) e as ornamentais no sábado (24 a partir das 8h). Participe!






Fotos: Ricardo Pedroso, Saci

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Mudas para o plantio no Acariquara

Ontem Rosemary Bianco, chefe da Divisão de Arborização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMMAS), veio ao Acariquara para combinar com os moradores a doação de mudas e o apoio logístico para o plantio em comemoração ao Dia da Árvore. A SEMMAS doará cerca de 170 mudas de árvores e plantas herbáceas que ajudarão a recuperar e embelezar a área verde ao final da Av. Humboldt. Todos os moradores estão convidados a participar! Vejam a programação abaixo.



:: Programação ::

  • 22 setembro (Quinta) :: Dia de preparação. A equipe de limpeza e preparação das covas virá pela manhã e teremos que indicar os locais para preparar e cavar. É importante que as covas abertas sejam bem escolhidas e adequadas às mudas, por isso convidamos os moradores interessados a participar.
  • 24 setembro (Sábado) :: Dia do plantio. A SEMMAS e moradores devem trazer as mudas para que a Comunidade Acariquara (adultos e principalmente crianças) realizem o plantio.


A moradora Indra sugeriu de incrementarmos o plantio com mudas de plantas que temos nos quintais de nossas casas. Ela se prontificou a trazer sementes de Chuva-de-ouro, um planta muito vistosa que embora não seja nativa tem um grande apelo paisagístico. Veja abaixo a lista das espécies doadas pela SEMMAS e algumas fotos para ilustrar as plantas.

Cassia fistula, Cássia-imperial ou Chuva-de-ouro.



:: Lista espécies ::

tipo
nome
quantidade
porte
frutífera
Açaí do Pará
10
arbóreo
frutífera
Jutairana
10
arbóreo
frutífera
Bacuri
5
arbóreo
ornamental
Ipê amarelo
5
arbóreo
frutífera
Munguba
5
arbóreo
frutífera
Jatobá
5
arbóreo
frutífera
Patauá
5
arbóreo
frutífera
Cacau
5
arbóreo
ornamental
Ruellia roxa
30
herbáceo
ornamental
Alpinia purpurata
10
herbáceo
ornamental
Coleus
10
herbáceo
ornamental
Maranta
10
herbáceo
ornamental
Camarão vermelho
10
herbáceo
ornamental
Odontonema
10
herbáceo
ornamental
Barleria
10
herbáceo
ornamental
Tumbergia
10
herbáceo
ornamental
Justicia vermelha
7
herbáceo
ornamental
Gengibre do brejo
5
herbáceo
ornamental
Pacavira
5
herbáceo
ornamental
Amor dos homens
2
herbáceo


:: Imagens ::

Açaí do Pará.
Ipê amarelo.
Munguba.
Ruellia roxa.
Alpinia purpurata.
Coleus.
Maranta.
Camarão vermelho.
Odontonema.
Barleria.
Tumbergia.
Justicia vermelha.
Gengibre ou Lírio-do-brejo.
Pacavira, Heliconia psitacorum.
Amor dos homens.